FAZEMOS DIETA. OLHAMOS FIXAMENTE PARA A BALANÇA. (publicado na Vogue em2008)

25.3.13
Acho que todas a mulheres deviam ler isto. E todos os homens deviam ver as mulheres a lê-lo, dar-lhes a ler ou entao dizer-lhes este mesmo conteúdo, passar-lhes esta mensagem.

O tom irónico do artigo suaviza e atenua a frieza cortante com que as mulheres se automutilam, a favor da Beleza. Beleza? O "por favor parem" no final do artigo, mostra uma tentativa falhada de nos tentar fazer olhar para nós próprias com olhos de homem.

Mas isso, infelizmente, não é possível grande parte das vezes e realmente não sei o que se poderá fazer.

Sou apologista da ideia de corpo são, mente sã. Daqui (do blogue) não retirem a distorcida ideia que os planos detox são pró distúrbios alimentares. Antes pelo contrário, são pró saúde, a favor do auto-conhecimento corporal e mental, dos limites dos próprio corpo e respeito pelo mesmo. Por vezes até pode parecer contraditório, porém numa era de excessos e de carências, onde o 8 e o 80 passaram para 8 e 8000, parece sempre que uma alimentação saudável é pobre, quando é totalmente o oposto.

A maior parte fica aterrorizada com a tão parca quantidade de alimentos que o nosso corpo necessita. Precisa é de qualidade! E sim, parca quantidade mesmo para quem tem uma actividade moderada.

Deixo-vos com o artigo que me tocou há alguns anos atrás. É bastante extenso mas de leitura fácil e interessante.

SERÃO AS ATITUDES DAS MULHERES MODERNAS FACE AO TAMANHO ABSOLUTAMENTE DESPROPORCIONADAS?

Alex Bilmes revela o que os homens pensam realmente sobre esta questão de peso.





Primeira citação: "Nunca somos nem ricas nem magras demais." Foi a Duquesa de Windsor quem o disse. É despropositado. Nem sequer tem piada naquele sentido frágil e doutrinal que só as pessoas muito ricas e magras conseguem fazer resultar. A riqueza obscena é isso mesmo. Grotesca. E desfigura. Tal como o passar fome desfigura as jovens. Segunda citação: "A gordura é uma questão feminista." É o título de um livro de Susan Orbach. Já o leu? Eu já. Uma nova introdução na edição de 2006, na qual Orbach lamenta o facto de, no intervalo entre a primeira edição do seu livro "antidieta", de 1978, e a actualidade, as atitudes das mulheres face à comida e aos seus corpos se terem tornado progressivamente mais neuróticas. "Vivemos numa cultura", escreve, "na qual a preocupação com a aparência do corpo se tornou um elemento crucial da experiência feminina." E, defende, as mulheres são aqui coniventes. "Aceitamos o desafio [de atingir a magreza]." Mas, acrescenta, "o fascismo do corpo e a tirania do magro e da noção de que todas devemos vestir o 32 não é apenas irrealista, é também pouco saudável e inatingível". O que, seria levado a pensar, é irrefutável. Não pensem que estou habituado a ler tratados de libertação feminina dos anos 70. Li o livro de Orbach depois de a Vógue me pedir para escrever sobre a atitude das mulheres face ao peso. Ou, mais precisamente, as atitudes dos homens face às atitudes das mulheres face ao peso. Sou homem e, portanto, não sou obcecado pelo peso das mulheres, ou, pelo menos, não ao ponto a que as mulheres o são. Nem sou obcecado pelo meu próprio peso. É verdade que as mulheres - certamente não todas, mas uma boa maioria -preocupam-se com o peso. Mas esta não é uma questão de saúde, é uma questão de estética. Penso ser mais necessário dizer que as mulheres estão preocupadas com a forma mais do que com o peso. A supermodelo brasileira Gisele Bündchen, sendo um tanto amazónica, possivelmente pesará mais do que outras não supermodelos minúsculas.e pouco notáveis, mas o que interessa quando tem aquele aspecto? Dizer que os homens não se interessam pelas formas femininas não é verdade, claro. E, pelas formas da Menina Bündchen, estamos mesmo muito interessados e ao ponto da distracção. Mas não tão interessados como vocês. E isso, quando se pensa no assunto, é bastante esquisito. Estamos decididos a passar pelo menos parte do nosso tempo a olhar para vocês. Deveriam estar igualmente ocupadas em retribuir. Mas não estão. Estão demasiado ocupadas a olhar umas para as outras. Se nós, homens, não fossemos tão alienados, poderíamos ficar ofendidos. Mas somos, no geral, bastante alienados. As atitudes das mulheres face ao peso é um assunto sobre o qual eu, como a maioria dos homens, quase nada sei, a não ser aquilo que não consigo evitar. O que sei – mais do que gostaria, com certeza – é incidental e anedótico; é o que pude vislumbrar ao ouvir-vos queixarem-se e ao ver-vos deixar de comer comida normal porque estão de dieta ou obcecadas com o tamanho da clavícula da mais recente celebridade ou a dedicarem-se de corpo e alma à nova loucura pela ginástica que irá garantidamente fazer-vos parecer com a Mischa Barton, desde que consigam deixar de comer bolos e de beber margaritas geladas. Digo tudo isto com amor, naturalmente. A resposta curta à pergunta sobre o que pensam os homens sobre a obsessão das mulheres pela imagem do corpo é que não a achamos atraente. Não o é por tantos motivos que me parece difícil listá-los a todos neste espaço. O primeiro e o mais óbvio dos motivos é que, em casos extremos, pode ser prejudicial para a vossa saúde. Pode até matar-vos. E isso é assustador. Para os homens, apesar do tom deste artigo, as mulheres não são uma espécie remota a ser estudada à distância. São as nossas mães, as nossas mulheres, as nossas irmãs, as nossas amantes. as nossas filhas, as nossas amigas. Não vos amamos apenas; não vos desejamos apenas: precisamos de vocês. E já há suficiente perigo no mundo sem que vocês o aumentem ao não comerem adequadamente. Não queremos que sofram. E penso que estão a sofrer. E assim termina a parte séria. Que alívio, não? E há ainda todas as outras coisas concomitantes e menos ameaçadoras, como a angústia de nível inferior, a quase obsessão, as inseguranças carentes e o simples ciúme. Que, na realidade, são apenas cansativos para todos. Esse é o problema das neuroses dos outros. Não são divertidas nem encantadoras.

Quase todas as mulheres com quem falei - e este é um assunto sobre o qual pareciam mais do que dispostas a falar abertamente - sabiam que a cultura que rodeia a alimentação não é saudável, mas que elas, pessoalmente, não se sentiam afectadas. Depois, acabaram por revelar comportamentos em relação à comida que considero profundamente invulgares, como o consideraria a maioria dos homens. Uma mulher, profissional da Comunicação Social, na casa dos trinta, falou comigo com grande discernimento sobre o quão terrível era a pressão sobre as adolescentes e as jovens para se conformarem a um ideal improvável de beleza física e como ela era afortunada por pertencer a uma geração que não era demasiado obcecada por dietas. Revelou que, uma vez por ano, viaja até uma clínica na Suíça onde é irrigada, agredida, obrigada a passar fome e depois reeducada sobre como alimentar-se correctamente. E não considerava que houvesse nada de estranho nesta abordagem quase fascista ao reabastecimento. Coloquei-lhe a questão crucial para mim: se, antes de comer, considerava cada pedaço de comida quanto ao conteúdo calórico, propriedades que engordam e por aí em diante ou se, às vezes, se limitava a engolir coisas sem se preocupar. Ela mostrou uma jovial falta de preocupação, mas, depois, admitiu que lê as ementas de cima a baixo, avaliando o prejuízo que o pudim poderá causar e ajustando a selecção de entrada e prato principal. Ou melhor ainda, entrada como prato principal. Porque, se pensar sobre o assunto, não me consigo lembrar da última vez que vi uma mulher comer uma refeição com três pratos. Vi-as ocasionalmente a serem pedidas e trazidas para a mesa, e remexidas, e reviradas, mas raramente terminadas e muito menos apreciadas. Quase todas as mulheres a quem coloquei essa questão crucial – aquela de considerarem ou não tudo o que é comestível e ponham na boca - disseram que sim, que nem um só pedaço lhes passava pelos lábios sem ser avaliado. Isto, para mim e para outros homens com quem falei, é uma forma de loucura. Falemos de boas maneiras à mesa. Mexer na comida e depois não a comer, comê-la dos pratos dos outros, abrir ementas com o mesmo olhar de terror que nós, homens, reservamos para os resultados dos exames hospitalares e para as contas de táxis; a nada disto chamaria de sensualidade, que é uma das coisas que um tipo procura numa mulher. Pior ainda é a entediante falsa decadência atrevida, mas boazinha - que promove o controlo do peso. Este é o fenómeno segundo o qual comer o ocasional pudim de caramelo deveria fazer de nós perigosamente carnais, invejavelmente despreocupados. Pudim de caramelo não é decadente. Não é sensual. Gastar todo o dinheiro em Alta-Costura e cigarros, sim, é decadente; usar o Maserati como garantia num jogo de póquer é decadente; trocar o pai dos seus filhos por um poeta rockconsumidor de drogas com uma fixação por Baudelaire é decadente. Pudim de caramelo é... Bem, é pudim, não é? Pudim. De caramelo. Outra coisa: a vossa obsessão pelo peso não é apenas uma obsessão pelo vosso peso. É uma obsessão pelo peso de toda a gente – desde Nicole Richie e Victoria Beckham, que nunca conheceram, até à vossa melhor amiga, da qual raramente se separam.

A minha pesquisa para este artigo, admito, foi muito pouco científica, mas é interessante que as mulheres mais novas, aquelas nos vinte e tal anos, início dos trinta, parecem mais concentradas em compararem-se a celebridades como as mencionadas acima, ao passo que as mulheres na casa dos trinta e dos quarenta estejam aparentemente mais preocupadas com as formas das suas amigas. Presumo que isto está relacionado com a busca implacável da Comunicação Social por carne nova (ou a falta dela!). Não vale muito a pena massacrar-se por causa dos corpos de praia exibidos em Perezhilton.com, que mal saíram da adolescência, quando se tem 44 anos. Não é realista. É muito melhor deixar que as adolescentes se preocupem por não serem tão magras quanto a Kate Middleton enquanto se fixa nos braços tonificados da sua chefe, nos tornozelos delicados da professora do seu filho, nas longas, esguias e bronzeadas coxas da sua cunhada, nos seios arrebitados da nova assistente do seu marido. Cabra! Tudo isto só pode levá-la numa direcção: a inveja. Não é um traço de carácter atraente, na verdade. É o motivo pelo qual, quando nós, homens, dizemos que "a Keira Knightley é bonita, não é?" – se alguma vez formos estúpidos ao ponto de dizer algo tão obviamente incendiário e insensível, vocês pensam que queremos dizer algo como "estás gorda". O que, sinceramente, não queremos. Só queremos dizer que a Keira Knightley é bonita. Que é.

As mulheres são muito mais críticas quanto ao seu corpo, e ao de outras mulheres, do que os homens. Os homens deliciam-se com muitas formas e tamanhos de mulheres. Onde nós vemos um tipo elegante e atlético, vocês vêem uma pretendente a mulher de futebolista e arrogante. Onde nós vemos um estilo vivaz, curvilíneo e sensual, vocês vêem uma mulher apagada, sem esperança, uma Bridget Jones. Isto traz-nos a uma parte realmente difícil. A parte que repetimos vezes sem conta e na qual vocês nunca acreditam. Não é que queiramos que sejam gordas (apesar de, como qualquer um que tenha ligação à Internet poderá confirmar, haver homens para quem isso é excitante), mas também não queremos que sejam paus de virar tripas. Onde estaria a graça? Quando disse às mulheres, durante a preparação deste artigo, que os homens preferem genuína e honestamente mulheres com curvas a mulheres sem elas, recusaram-se a acreditar em mim. Disseram que o que eu queria dizer é que preferia o tipo Gisele Bündchen: cintura minúscula, pernas torneadas, peito grande. Bem, sim, mais ou menos. Da mesma forma que vocês querem um tipo Daniel Craig: cintura minúscula, pernas torneadas, peito grande. Mas será que querem mesmo? Já conheci a Gisele – também já conheci o Daniel, mas não houve o mesmofrisson – e, ainda que seja certamente muito atraente, é também um pouco assustadora. E magra. Talvez até demasiado magra. (E o seu peito não é assim tão grande.) Tornou-se um cliché, mas é verdade: os homens querem curvas, não linhas; carne, não ossos; Cruz e Bellucci, não Hilton e Richie. Poderá dizer que Penélope e Mónica não são gordas, e têm razão. Mas são femininas. Parecem o tipo de mulher que poderia beber uma cereja num dia de calor - talvez duas. Que poderia comer uma sanduíche sem se preocupar com a possibilidade de não caber naquelesjeans estreitos. Que poderia passar uma tarde de sol a preguiçar em vez de fazer ginástica. Que poderia colocar o prazer à frente da disciplina. O que nos leva aos músculos. Poucas coisas da avassaladora obsessão feminina pelo corpo são tão desconcertantes para os homens como as mulheres com músculos. Enquanto, em tempos, os nossos ícones de feminilidade eram femininas, talvez até um pouco roliças - Marilyn Monroe era bela, mas não seria grande atleta de triatIo - agora, parecem só osso e músculo. Encontrei Angelina Jolie algumas vezes. É deslumbrante, mas também parece capaz de levantar um jornalista no ar com uma mão, enquanto usa a outra para enviar um SMS a Bono sobre o cancelamento da dívida do Terceiro Mundo. Ninguém tem a mesma admiração que eu por Jennifer Aniston, mas por que motivo se transformou numa dura celebridade halterofilista? Acredito na igualdade entre homens e mulheres em todos os aspectos, à excepção do levantamento de pesos.

Recentemente, desci até à cave de um edifício, mesmo por detrás dos escritórios da Vogue, em Londres. Ali observei mulheres inteligentes e distintas em calças de fato de treino a fazer uma figura algo ridícula com um novo exercício chamado Power Plate. Envolve estar de pé ou sentada numa placa vibratória e realizar exercícios tradicionais que dizem ser intensificados pelo movimento agitado. Para surpresa minha, várias mulheres sensatas exultaram credulamente os benefícios deste ritual. Não duvido que tenha os seus benefícios. É, com certeza, melhor do que comer pizza e gelado a ver televisão. Mas não é preciso ser nutricionista ou instrutor físico para saber que não existe cura milagrosa para o aumento de peso. A minha namorada pensa que eu poderia resumir este artigo a uma frase: as mulheres querem ser magras porque os homens consideram as mulheres magras mais atraentes. Depois corrigiu "magra" por "elegante". Ela própria é muito elegante, mas não o era tanto quando adolescente e lembra-se de observar as reacções dos homens em relação a ela e a raparigas mais magras, reparando que eles se sentiam mais atraídos pelas últimas. Associa as suas preocupações com a comida e a imagem corporal a essas ocasiões. Correndo o risco de promover uma discussão com a minha amada, não tenho assim tanta certeza. Penso que as mulheres querem ser magras para que possam dominar mulheres mais gordas. E não acredito que estejam a fazer tudo isto a vocês próprias – toda esta angústia e subnutrição e excesso de exercício - por causa dos homens. Mas, na hipótese remota de estarem, por favor parem.

Vogue Portugal Nº67, edição de Maio 2008.

Artigo por Alex Bilmes.

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