À CONVERSA COM OLGA REIS, PSICÓLOGA, MÃE E BLOGGER.

19.4.13




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Olga Reis é algarvia, tem 31 anos e é psicóloga.


É mãe de dois pequenos, a Leonor e o Afonso. Vive para os piolhos, para os seus filhos e os dos outros. No fundo como considera que a sua criança interior está bem viva, é-lhe fácil entrar no mundo mágico e fantástico delas.








Olga como surgiu a ideia de criares O Rei vai Nu?
Para ser sincera a ideia não partiu totalmente de mim. A minha grande amiga Ana Gomes, que também tem um blog (A Melhor amiga da Barbie), é em parte responsável pela criação do O REI VAI NU.
Numa altura, em que andava desanimada profissionalmente e precisava de colmatar isso, ela diz-me: “Porque não crias um blog e falas das tuas coisas profissionais, já pensaste quantos pais podes ajudar?”.
No ínicio era só para ser um blog muito técnico sobre temas relacionados com a minha área, mas rapidamente descobri que podia utilizar o blog para muitas outras coisas. Para dar um sorriso aos familiares e amigos que estão longe, para responder a todas as pessoas que nos perguntam sobre onde compro as roupas dos miúdos, como caixinha de recordações dos pequenos, etc...
Eu adoro este meu cantinho. E neste momento é um projecto que me faz muito feliz e me tem dado bastantes alegrias.


Que voz procuras ter junto dos pais com o teu blog?
Procuro dar uma pequena ajuda nesta fantástica aventura que é ser mãe/pai, através da partilha de informação sobre temas relacionados com a gravidez, maternidade/paternidade, desenvolvimento infantil, adolescência, parentalidade e por aí, em que o objetivo constitui em esclarecer, informar e reforçar práticas parentais positivas.


Hoje em dia, qual consideras a principal melhoria na qualidade de relação de pais e filhos, comparativamente com o que acontecia há alguns anos?
Acho que nos dias de hoje os pais podem ser fantásticos. Antigamente muita da informação era cultural e passada de boca-em-boca. Os pais cuidavam dos filhos pelas experiências que outros tiveram, principalmente os avós. Não que isso fosse mau, mas ainda hoje costumamos ouvir a célebre frase: “Antigamente tudo se criava”. Para mim nem tudo, existiram histórias felizes mas também existiram muitas histórias infelizes, para não falar que, nos dias que correm, a taxa de mortalidade infantil, comparativamente com o antigamente diminuiu drasticamente.
Os pais de hoje estão rodeados de uma série de ferramentas que lhes permitem serem melhores, desde a informação que podemos encontrar e recorrer fácilmente, um sistema de saúde muito melhor e com formação especializada nas mais váriadas áreas, uma oferta educativa mais alargada, etc... Sim, podemos, sem sombra de dúvidas, melhorar a qualidade de relação com os filhos, basta querermos!


És mãe, psicóloga e blogger. Como consegues conjugar estes teus 3 papeis com o cuidar de ti? 
Bem, isto vai mesmo soar a frase feita, mas não deixa de ser verdade. Quem corre por gosto não cansa, certo? É mais ou menos isto. Adoro a profissão que escolhi e imagino-me a fazê-la até ser velhinha. Ser mãe, é das coisas que mais me faz feliz (se não a mais), enquanto a ser blogger, confeso que foi uma agradável surpresa e como escrevo sobre o que mais me dá prazer, dá-me um gozo tremendo. Quanto ao cuidar de mim, talvez, no meio disto tudo, seja a parte mais negligenciada, no entanto gosto muito de mim e, por isso, sempre arranjo um espacinho, uma vez ou outra, para cuidar de mim. Ah! e depois tenho um marido que me mima muito.


A que áreas da saúde dás mais atenção?
Como deves calcular, à saúde mental. Se pensarmos que uma personalidade considerada “normal” pode entrar em qualquer momento da sua existência na patologia mental, é assustador, não é? Fronteira ténue que pode existir! Costuma-se dizer que "o bom humor afasta as doenças", ou  que "aquele que ri, vive mais". Isto significa que a mente tem uma relação direta ou indireta com o corpo. Assim, acredito que à medida que "alimentamos" bem nossa saúde mental (com emoções positivas, poucos aborrecimentos, bons pensamentos, etc.), melhor será a nossa saúde física.


Quais são os teus hábitos alimentares? 
Não como fritos, comidas com muita gordura ou demasiado condimentadas, carne de porco, ou demasiados doces. A verdade é que não é esforço nenhum para mim. Fui educada assim, desde pequena.  Era muito raro haver destas coisas à mesa, por isso, nem as aprecio muito. Sou algarvia e sempre comi mais peixe que carne, sopa todos os dias, salada, fruta obrigatoriamente e o belo do gaspacho à algarvia que eu não resisto. Acho que os meus pais fizeram um bom trabalho na minha educação alimentar e isso, sem sombra de dúvidas, reflete-se nos  meus hábitos alimentares.


Como consegues introduzir hábitos de vida saudável na vida dos teus pimpolhos? 
Para crescer e ter uma vida saudável, é importante que os pequenos sejam incentivadas aos bons hábitos desde cedo.
Relativamente à alimentação, tal como os meus pais fizeram comigo, também eu tento criar um ambiente familiar livre de guloseimas, tentações ou alimentos calóricos. Temos horários para as refeições e juntamo-nos todos para comer. Costumamos envolve-los na compra e preparação dos alimentos, porque acho que ajuda, não só a conhecerem os alimentos, bem como conseguir passar, de uma forma divertida, informação sobre os seus benefícios para que aprendam a responsabilizar-se pelo consumo dos mesmos.
Em relação a outros hábitos que também considero saudáveis e que envolvem exercitar o corpo e a mente, passam muito por brincar com os pequenos, ir ao parque, dançar, contar e ouvir histórias, desenhar e por aí. Tanto eu como o pai gostamos imenso de fazer estas coisas com os pequenos. Para além disso, na escola onde andam, têm educação física uma vez por semana e introdução à musica, incluídos nos horários normais, sem ser actividade extra-curricular.  A Leonor este ano quis ir para o ballet, esta é a única actividade extra-curricular que tem.

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É fácil ou utópico pensar que se consegue controlar a alimentação dos mais pequenos?
Muito fácil e nada utópico. Nós somos o espelho dos nossos filhos, pois eles aprendem por condicionamento. E isto funciona em tudo, até nos hábitos alimentares. Se os pais têm preocupação com a alimentação, os filhos crescem com o mesmo pensamento e facilmente terão um estilo de vida saudável. Claro que isto não é assim tão fácil como parece, no entanto, é importante estabelecer regras e criar limites, como em tudo na vida.

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Tens dicas de alimentação correcta e divertida para crianças? 
A maior parte das crianças adora ir às compras e este pode ser um bom aliado para os pais e começar um bom diálogo sobre os alimentos, por exemplo: “Hoje vamos fazer um arroz colorido, o arroz arco-íris, o que achas?” comprem cenoura, milho, ervilhas, etc… e  comentem como as cores são bonitas e alegres.
Quando estiverem a preparar os alimentos (lavar, picar, ralar) deixem os pequenos ajudar. Eles podem, por exemplo, ir buscá-los ou colocá-los numa tigela. Durante o processo expliquem os benefícios destes: a cenoura faz bem aos olhos e deixa a pele bonita, o milho faz bem à barriga, etc, etc…  E frisem sempre que eles são deliciosos e importantes para a saúde.
Depois de preparados, é importante que comam e apreciem a refeição juntos, conversem sobre o aroma, a textura, as cores… claro que não conseguem fazer isto em 10 minutos! É preciso tempo e paciência e assim, conseguem mostar que comer bem envolve prazer e tranquilidade.

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